sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Em Nova York, restaurantes ambulantes aspiram à alta gastronomia

DA FRANCE PRESSE no folha turismo


Pasteizinhos de cenoura ou ao limão, sorvetes de frutas exóticas com vinagre balsâmico, crocantes bifes à milanesa de vitelo: em Nova York, os restaurantes ambulantes apontam para a alta gastronomia.


A moda, lançada em Portland (Oregon, a noroeste) e Los Angeles (Califórnia, a oeste), chegou a Manhattan há pouco mais de um ano.


As páginas na Internet e redes sociais, incluindo o Twitter, informam o menu do dia e onde localizar os caminhões que dão espaço para os restaurantes itinerantes.


"Hoje vitela, na 52nd Street, das 12h às 15h", escreve no Twitter Oleg Voss, 28, formado em uma escola de gastronomia e também na prestigiada escola de negócios da Universidade de Nova York (NYU).


Em torno de 5.400 pessoas seguem Voss no Twitter, e dezenas esperam sua vez em frente ao caminhão bege e marrom do Schnitzel & Things, cujo logo foi criado por um designer do Instituto Parsons.


"Tinham acabado de me contratar em um banco de investimento em Viena, em 2008, quando a crise explodiu: fui o primeiro a ser demitido", conta Oleg.


Este talentoso jovem nascido na Ucrânia decidiu então lançar em Nova York, junto de seu irmão Gene, 35, um restaurante ambulante que oferece "schnitzels" (milanesas), ou seja, carne empanada com pão ralado, acompanhadas de purê de maçã ou batatas fritas, um prato tradicional de Viena.


"Não tenho carne de vitelo porque é muito cara, então, faço (as milanesas) com frango ou carne comum, mas de boa qualidade; frito na hora, o azeite é orgânico, trocado todos os dias", diz Olega, enquanto anota pedidos de uma clientela de jovens advogados e financistas do bairro.


Além de seu irmão, no pequeno caminhão trabalham dois cozinheiros. Servem em torno de 200 pratos por dia, a um preço médio de dez dólares cada um.


Em torno de 15 caminhões gourmet operam em Nova York, ou seja, menos de 10% do mercado dos restaurantes ambulantes.


"Obviamente, tivemos que arranjar um lugar para nós com a máfia dos sorveteiros", conta Grant di Mille, dono, junto com sua mulher, Samira Mahboubian, do caminhão Street Sweets ("doces de rua"), especializado em brioches, croissants e brownies.


"Os rapazes de Mr. Softee (a rede de sorveterias fundada em 1956) ameaçaram queimar nosso caminhão", contou Di Mille que, assim como sua mulher, trabalhou por 20 anos em marketing antes de se lançar neste negócio, há menos de dois anos.


"Tínhamos vontade de ter nossa própria empresa", disse Mahboubian, de origem iraniana, que sempre viu sua mãe preparar pastéis. "Conseguimos obter uma autorização, o que foi bem difícil, e depois fizemos amizade com a polícia."


O casal teve sucesso e trabalha com eventos organizados por marcas conhecidas e clubes esportivos. "Temos um segundo caminhão que pode ser pintado com o nome do cliente", explica.


A customização não é problema para Douglas Quint, 39, instrumentista em Boston no inverno e vendedor de sorvetes em Manhattan no verão.


Em um caminhão branco com o cartaz "O grande caminhão gay de sorvetes" oferece sorvetes exóticos na Union Square: de doce de leite com sal, gengibre com curry, ou de frutas exóticas com vinagre balsâmico.


"Convenço os curiosos a provar, eles gostam e pronto", disse esse criador de sabores, que compra "os melhores sorvetes" e posteriormente os condimenta. "Vou a San Francisco participar de uma conferência sobre a restauração de ruas, que está em alta", completa.

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