domingo, 30 de outubro de 2011

Jerusalém - Monte das Oliveiras

Por Gustavo Bonelli

Com o passar do tempo, toda a energia religiosa presente na cidade vai aos poucos tomando conta de você, por menos fé que voce tenha. A segunda razão que faz de Jerusalém uma cidade intrigante é exatamente isso: perceber como são diversas e ao mesmo tempo universais as manifestações de fé.

Na parte da tarde, programamos o tour ao Monte das Oliveiras. Esse talvez seja o mais importante de se fazer com guia porque fica fora da Cidade Antiga. No horário marcado para começar, o grupo se reuniu e nosso guia nos levou até o ponto onde pegaríamos uma van até o local onde o passeio começa: a Capela da Ascensão.

A Capela da Ascensão é um local sagrado para cristãos e muçulmanos e foi construída sobre o local de onde Jesus teria subido aos céus após sua ressurreição. Originalmente era uma estrutura aberta, mas a arquitetura foi alterada com a construção de uma cúpula fechada, resquício do domínio árabe em Jerusalém, tendo servido como mesquita por cerca de 300 anos. Hoje em dia pertence aos muçulmanos.

Capela da Ascensão

Pegada deixada por Jesus
 

Seguimos de lá para a Igreja do Pai Nosso (Church of the Pater Noster). Essa Igreja foi construída em torno da gruta onde se acredita que Jesus ensinou a oração aos seus discípulos. Há muitos painéis com o Pai Nosso escrito em diversas línguas.

Igreja do Pai Nosso

Gruta onde foi ensinada a oração

Painéis com a oração em várias línguas


Andando um pouco mais, chegamos ao cemitério judeu, que existe há cerca de 3000 anos. São mais de 150.000 tumulos e, segundo nosso guia, a última pessoa a ser enterrada ali teve que desembolsar USD 2 milhões para garantir seu lugar na primeira fileira da ressurreição. Os judeus tem como costume colocar pedras sobre os túmulos ao invés de flores pois elas simbolizam a eternidade. Quando o Messias chegar, ressucitará os mortos no dia do Juizo Final. Para orientar sua caminhada até o Monte do Templo, todos estão enterrados com os pés voltados para lá.



Ao invés de flores, pedras


O local que visitamos em seguida, o Santuário Dominus Flevit, é onde está localizada a Igreja Dominus Flevit construída em 1954 com o desenho de uma gota, criado pelo arquiteto Antonio Barluzzi para simbolizar as lágrimas de Jesus. Segundo a Bíblia, neste local ele teria chorado ao prever a destruição de Jerusalém (associa-se a destruição pelos romanos no ano 70).

Vista do Dominus Flevit

Descendo mais um pouco, visitamos o Getsemane e a Igreja de Todas as Nações. A Igreja, originalmente chamada Basilica da Agonia, foi construída sobre a rocha onde Jesus teria rezado na noite de sua prisão e fica ao lado do jardim de Getsemane.

O Jardim


A Pedra


A Igreja


Por último, visitamos o túmulo de Maria que fica numa Igreja construída numa caverna na época das Cruzadas. 


Túmulo de Maria

Lá em cima, a entrada

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Internet 3G no exterior

Por Gustavo Bonelli


Com a Bia viajando por 3 semanas e a vontade de a gente conversar sobre a viagem a toda hora, resolvi procurar como seria possível ela ter acesso a internet sem depender de redes wifi abertas ou de ter que esperar até voltar para o hotel no fim do dia.




Acabei achando um post bem didático escrito pelo Fred Marvila do Sundaycooks que da o passo-a-passo de como fazer para usar não só smartphones mas tablets tb. Para acessar direto o post, clique aqui

Na verdade, não tem muito mistério. Basta você compra um chip pré-pago e colocá-lo no seu celular. Mas alguns detalhes fazem valer a pena a leitura do post. E pra ficar perfeito, é só juntar o acesso 3G com programas como Viber (ligações) e Whatsapp (mensagens) e aproveitar. 



sábado, 22 de outubro de 2011

Jerusalém - Free Tour

Jerusalém é uma cidade intrigante por diversos motivos. Em primeiro lugar, é uma cidade sagrada para 3 das principais religiões do mundo: cristã, judaica e muçulmana. Para cada uma delas, serviu de palco para passagens importantes relatadas nos seus respectivos livros sagrados: Bíblia, Torah e Alcorão. Esse será o primeiro post sobre os tours que fizemos em Jerusalém. Como já falamos antes, é muito recomendável que se faça o passeio pela cidade com guia porque isso irá eriquecer muito mais a viagem.

A história da cidade se mistura com a das religiões que são extremamente complexas e interligadas e seria impossível explicar muitas coisas por aqui. Por isso, falaremos um pouco de História enquanto mostramos fotos e damos algumas dicas, mas sem entrar em muitos detalhes.

O ponto de partida dos passeios guiados é o portão de Jaffa, onde fica o centro de informações turísticas. Chegando lá os guias já se apresentam pra voce e oferecem seus pacotes. Duas empresas disputam mais acirradamente os turistas: a Zion Walking Tours e a New Jerusalem Tours. As duas oferecem um primeiro passeio grátis como se fosse uma introdução a Jerusalém, que eles chamam de Free Tour, e na verdade é uma apresentação do serviço para que você compre os outros passeios (Mount of Olives tour e Holy City tour).

Há passeios em inglês e eles duram cerca de 2 a 2 1/2 horas. Para otimizar, tinhamos que fazer pelo menos dois passeios em um dos dias e acabamos escolhendo o free tour da Zion porque começava um pouco mais cedo e nos daria mais tempo para fazer o tour da tarde. O passeio dá uma boa visão geral da cidade mas esbarramos numa dificuldade que tirou um pouco nossa disposição de seguir o passeio até o fim. O guia tinha um sotaque muito forte e apesar de entendermos bem o inglês tivemos que fazer um certo esforço para entendê-lo. Além disso, encontramos no meio do passeio o grupo que acompanhava a outra empresa e a diferença era gritante. Com isso, decidimos mudar de empresa nos passeios seguintes.

A parte mais antiga de Jerusalém (conhecida como Cidade Antiga, ou Old City) é cercada por um muro e dividida em quatro partes que eles chamam de quarteirões (quarters): Judeu, Armênio, Muçulmano e Cristão.Nesse tour inicial, somos apresentados aos pricipais pontos da Cidade Antiga: o Patriarcado Armênio, o Monte do Templo – onde ficam o Muro das Lamentações e as Mesquitas de Omar e Al-Aqsa – e a Igreja do Santo Sepulcro. Entre um e outro, fomos conhecendo outras construções e aprendemos um pouco sobre a história da cidade.

Jerusalém e seus quarteirões (fonte: Wikitravel)


O quarteirão Armenio é o menor de todos. Em poucos minutos se conhece ele saindo da Torre de Davi, passando pelo Patriarcado Armênio, onde fica a catefral de St. James, indo até o portão de Zion. Olhando para fora do portão de Zion, tivemos a primeira visão do monte das Oliveiras, onde está o cemitério judeu em que se acredita que quem lá está enterrado será julgado primeiro no Juizo Final.

Portão de Zion (Zion's Gate)

Monte das Oliveiras e o cemitério judeu


Chegando ao quarteirão Judeu, vimos o Cardo. São ruinas de uma avenida construída pelos romanos que era ladeada por colunas e cortava a cidade de norte a sul. Mais adiante, a Sinagoga Hurva (ruína, em hebraico) é uma das mais importantes para os judeus, tendo sido destruída por duas vezes. Sua útima reconstruição recupera sua arquitetura do período Otomano e ironicamente lembra muito uma mesquita.

Ruínas do Cardo

Painel com reconstituição do Cardo

Sinagoga Hurva


Enfim, avistamos o monte do Templo (Temple Mount) área sagrada para árabes e judeus pois lá estão o Muro das Lamentações e as Mesquitas de Omar (Domo da Rocha, ou Dome of the Rock) e Al-Aqsa.Ele é uma área a parte e não está dentro de nenhum dos quarteirões. O acesso a essa área é super controlado, com detectores de metal e raio x para bolsas, como numa entrada de aeroporto. Ali, mulheres devem permanecer com os ombros cobertos e alguns xales improvisados sao oferecidos gratuitamente.

Monte do Templo (Temple Mount


Saindo dali, entramos no quarteirão muçulmano e a paisagem mudou radicalmente. É o de maior densidade populacional com ruas estreitas cheias de lojas e vendedores oferecendo produtos pra você e que não deixam dúvidas a respeito da vocação comercial do povo árabe. De modo geral, é fácil se perder dentro da Cidade Antiga, especialmente nas ruelas do quarteirão muçulmano. Imprescindível ir com mapa e muito aconselhável ir acompanhado.

Nessa parte, percorremos a Via Dolorosa, que é a Via Crucis percorrida por Jesus desde a sua condenação por Pilatos até sua crucificação e sepultamento. Tem início na entrada da cidade próxima ao portão Lion no quarteirão muçulmano e termina na Igreja do Santo Sepulcro no quarteirão cristão.


Um dos locais onde Cristo se apoiou

A Via Dolorosa que vemos hoje em dia não é mais a que originalmente Jesus percorreu. Mesmo assim, carrega uma forte energia e não tem como não se tocar com as demonstrações de fé em cada ponto importante da Via, como os locais onde Jesus fraquejou e caiu por estar muito cansado. São 14 no total, todos sinalizados, mas nem sempre muito visíveis, e simbolizam os momentos mais importantes ou dramáticos deste percurso.

Onde Veronica limpou o rosto de Cristo



Local da terceira queda de Jesus


No post sobre o Holy City tour entraremos em mais detalhes sobre os principais pontos religiosos. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Israel - do mar Morto a Jerusalém

Apesar de já termos tido uma bela impressão do mar Morto, foi no trecho entre Ein Bokek e Jerusalém que a paisagem realmente fez o queixo cair. A viagem de carro não tem mistério. Há muitas placas indicando a direção das cidades. A princípio, estávamos preocupados de cairmos por engano na Cisjordânia, que é território palestino, mas não erramos nenhuma vez.

A viagem dura cerca de 1:30h e a maior parte do tempo a estrada vai margeando o mar Morto. Na verdade, dá vontade de parar várias vezes pra tirar foto e a gente acaba demorando um pouco mais, mas é impossível deixar tanta beleza passar sem registro algum.

Saindo de Ein Bokek

Do outro lado, a Jordânia

Paisagem surreal


Cerca de 16km após sair de Ein Bokek, pode-se visitar as ruínas de Masada. Após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelos romanos no ano 70, cerca de 1000 zelotes (grupo de resistência armada) fugiram de Jerusalém e tomaram uma fortaleza romana que ficava no alto de uma montanha na região da Judeia. Durante 3 anos, resistiram às tentativas de reconquista. Mas no ano 73, os romanos concluíram a contrução de uma rampa que permitiu que levassem todo seu armamento, o que seria impossível para os zelotes vencer. Quando os romanos chegaram a Massada, encontraram todos os soldados mortos, após um suicídio em massa. Nos dias de hoje, o juramento dos soldados isralenses inclui a frase: “Massada não deverá sucumbir novamente” Nós chegamos a ir até lá, mas resolvemos não fazer o tour. Maiores informações, acesse o site aqui.

Entrada para Ein Gedi


No caminho, passamos também por Ein Gedi e tivemos certeza de que fizemos a escolha certa por Ein Bokek. Chegamos em Jerusalém no meio da tarde e fomos direto para o hotel. Reservamos o hotel Mamilla que fica numa região que está sendo renovada e é próximo do portão de Jaffa, uma das entradas para a cidade murada, o que facilitou bastante a nossa vida. Perto do hotel, um shopping (Mamilla Mall) com várias lojas e restaurantes também serviu de base pra gente.

A maioria dos pontos que mais interessa a quem vai a Jerusalém fica dentro da cidade antiga, circundada por um muro e a qual se tem acesso por 8 portões, ou em inglês, gates (Jaffa, Herodes, Damascus, New, Zion, Dung, Lion e Golden). A principal excessão é o monte das Oliveiras. O principal deles é o portão de Jaffa e lá fica o centro de informações turísticas para onde fomos pegar informações sobre os tours guiados. Essa é a melhor forma de você aproveitar a sua viagem. É muita informação para se absorver ao mesmo tempo e a história é muito complexa. Ir sem um guia vai fazer você aproveitar apenas 30% do que poderia.

Primeira visão dos muros da cidade antiga

Já informados, resolvemos desbravar um pouco por conta própria. Fomos primeiro, para a Igreja do Santo Sepulcro o que obrigatoriamente nos fez conhecer as ruas do Souk, mercado árabe onde pode-se encontrar praticamente de tudo. Como voltaremos a essas áreas mais tarde não vamos entrar em detalhes agora.

Portão de Jaffa


Portão de jaffa

Souk

A noite terminou com um jantar num dos restaurantes do shopping, o Café Rimon, e uma ótima balada no bar do hotel, o Mirror Bar.

Café Rimon



Mirror Bar

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Oriente Médio - Mar Morto

O mar Morto pode ser visitado tanto do lado da Jordânia quanto de Israel. Inicialmente, pensamos em ir pela Jordânia para aproveitarmos os excelentes hotéis a ótimos preços. Para tornar nosso itinerário mais racional, tivemos que mudar e decidimos ir pelo lado de Israel. Desse lado, temos duas opçoes: Ein Gedi e Ein Bokek. A primeira, é a mais famosa. Fica mais próxima de Jerusalém, de onde saem várias excursões tipo bate-e-volta que podem ser feitas num dia. Neste ponto do mar Morto, pode-se experimentar a famosa lama que é conhecida por suas propriedades medicinais. Funciona como se fosse uma praia, com alguma infra-estrutura, mas basicamente para se passar o dia.

Ein Bokek, que foi a nossa opção, é uma rua com poucos quilômetros na qual diversos hotéis, resorts e spas se enfileram de frente para a praia. Nosso dia, que começou com todo o atraso para Petra, estava programado para terminar no mar Morto. A idéia era entregar o carro em Aqaba, cruzar novamente a fronteira até Eilat e de lá pegar um outro carro até Ein Bokek (não é possivel cruzar a fronteira com carro alugado). Só houve um porém: o dia em que chegamos a Eilat ainda fazia parte de Pessach, o feriado judaico que coincide com a Páscoa cristã e comemora a libertação dos judeus no Egito por Moisés. Resumindo, conseguimos fazer a reserva do carro, mas na hora H, a locadora (Hertz) estava fechada. A solução foi morrer numa grana para ir de taxi até nosso destino e de lá pensaríamos em como seguir a viagem a Jerusalém.

Perrengues à parte, chegamos ao Oasis Dead Sea Resort and Spa. Não era bem o que estávamos imaginando e de início nos decepcionou bastante. O atendimento não foi nada bom, sem ao menos uma pessoa para carregar nossas malas. Por se tratar de um spa, não é permitido o uso de celulares e não aceitam crianças; a internet wifi é paga e cara.  Como já era tarde, aproveitamos o que talvez tenha sido a melhor coisa do hotel: piscinas aquecidas com água do mar Morto que ficam abertas aos hóspedes até as 22:00h. Nosso primeiro contato com o fenômeno da alta salinidade da água foi mais clean e confortável do que a maioria relata, o que não foi problema algum para nós!





Após a piscina, voltamos para o quarto e eis que da nossa janela avistamos uma loja da Hertz! A única da cidade e talvez em um raio de 200km. Fomos até lá para saber os horários de funcionamento e no dia seguinte de manhã conseguimos o único carro que seria devolvido as 11:00. Nesta noite, demos uma volta pela cidade a pé mas já era tarde quando decidimos pensar em comer alguma coisa e encontramos a maioria dos lugares fechados. A solução foi comprar alguns snacks num mercadinho, voltar para o hotel e descansar.

Ponto mais baixo da Terra

Na frente do hotel


No dia seguinte, depois de resolvermos o problema do carro, aproveitamos a praia e foi à luz do dia que pudemos ver toda a beleza do mar Morto. Como nas pisicinas, não é recomendado mergulhar pois a água muito salgada pode irritar os olhos seriamente. Também é recomendado que não se faça a barba no dia em que se pretende mergulhar porque qualquer ferida irá arder bastante!

A praia



Na verdade, não há muito o que se ver no mar Morto. A opção de dormir por lá foi só mesmo para dar uma quebrada na viagem desde Aqaba. Já satisfeitos com nosso passeio, decidimos seguir para o próximo destino. Antes porém, pra não perdermos tempo, passamos num McDonald’s e conferimos o menu de lá que pra nossa surpresa não saiu nada barato (cerca de ILS 50,00 ou R$ 30,00/pessoa). Depois de comermos nosso McKebab (escolhido com a ajuda de uma atendente brasileira!), pegamos a estrada e fomos rumo a Jerusalém. 

Fast food com sotaque local