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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Paris por Joe - 4º e último dia

Ópera Garnier

Como dizem os franceses: Je suis désolé (sinto muito), mas é nosso último dia em Paris, e hoje os convido a vivenciar mais a vida desse povo, que, apesar de tudo que passou ao longo dos séculos, com suas revoluções, guerras mundiais e tantos outros problemas, vive se reinventando a todo momento, dando-no a impressão de que está sempre de bem com a vida; um povo que eterniza a imagem do bon vivant.
                A imagem que temos do francês, mesmo antes de conhecê-lo, é a daquele sujeito com uma pequena boina, geralmente de camisa listrada, trazendo uma baguete debaixo do braço e ah!... guiando sua bicicleta próximo da Torre Eiffel. Pois bem, com exceção da boina e da camisa listrada, é isso mesmo, eles adoram pedalar pela cidade, geralmente no início da manhã ou no fim da tarde, voltando para casa com sua deliciosa baguete para o jantar.
                Hoje vamos viver um dia de francês, mas, pela manhã, ainda cumpriremos nossa última agenda turística: vamos direto para um monumento que, na minha opinião, é um dos mais belos de Paris, a Ópera Garnier. Um fato que me chama a atenção quando falo da Ópera Garnier é que, geralmente, as óperas são extremamente dramáticas e trágicas, pois bem, o que levou à construção da Ópera Garnier permeou-se tanto de drama quanto de trágico.
                Paris sempre foi palco de atentados contra reis, imperadores, presidentes e similares. Não havia de ser diferente com Napoleão III, tendo ele sofrido cerca de dez atentados. Felici Orsini, um radical italiano que considerava Napoleão III um empecilho para a unificação da Itália, jogou três bombas contra o imperador quando ele saía do antigo prédio da Ópera, na estreita e movimentada Rue Le Peletier (9éme). Napoleão saiu muito abalado, mas ileso, sorte que não tiveram oito transeuntes que morreram no atentado e mais de cem que ficaram feridos. O ato de Orsini acelerou também os planos de Haussmann de transferir o teatro da ópera para um local novo, menos movimentado. Quando da construção da atual Ópera Garnier, cuidou-se para que ela tivesse uma bem-guardada entrada particular para Napoleão III, de modo a evitar uma repetição de um atentado como o de Orsini.
                Assim a Ópera National de Paris - conhecida como Ópera Garnier, nome que deve a seu arquiteto, Charles Garnier - foi inaugurada em 1875 e levou 13 anos para ser concluída, com interrupções durante a guerra com a Prússia e a revolta de 1871. Curiosidade do prédio: Sob o prédio há um pequeno lago, que inspirou o local onde se esconde o fantasma em Fantasma da Ópera, de Paul Leroux.
       

                Adentremos agora no savoir-vivre dos parisienses, vamos fazer algo que ficará para sempre em nossas lembranças. Primeiro vamos a um marché, onde iremos comprar, vinho, queijos, frutas da estação, baguetes, água e um bom chocolate. Pronto, agora é escolher o local para o nosso piquenique. Aqui sugiro alguns lugares para um bom piquenique, são eles: Champ de Mars (em frente a torre Eiffel), Quai des Grands Augustins (as margens do Sena, de frente para Notre Dame), Parque de Monceau (próximo ao Arco do Triunfo) e, por último, os Jardins de Luxemboug. Claro que existem inúmeros lugares, mas ficam aí essas dicas.
                Ao fim de nosso último dia, sugiro simplesmente flanar pela cidade, seja pelos boulevards (Saint-Germain ou Saint-Michel), pelas pontes de Paris, ou mesmo às margens do Sena, e, à noite, sair para o Quartier Latin (Rue Mouffetard) e andar sem nenhum compromisso. Quando der fome, pare em qualquer bistrô e coma algo que o faça lembrar de Paris, só lembre do acompanhamento, o vinho, e seja feliz na sua volta, pois Paris sempre estará à espera de uma nova visita.
Au revoir.
Joe.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Paris por Joe – Parte III

O Domingo


Bonjourles amis, começamos o terceiro e penúltimo dia de nossa viagem, é, eu sei, é muito pouco tempo, mas voltaremos outras vezes, pode apostar.
Bom, costumo dizer que sempre que viajamos para conhecer outra cidade é de suma importância que planejemos a viagem de forma a sempre ter um final de semana inserido em nosso roteiro, porque é nos fim de semana que a cidade está a todo vapor, não se trabalha, o trânsito flui melhor, acontecem as feiras (e em Paris não é diferente, tem a famosa feira da rueMouffetard, a feira de LesHalles entre outras), as igrejas estão todas ornamentadas erepletas de fiéis e, como dizia Edith Piaf, “Couleunfleuvejoyeuxsurnotre ilê St.Louis”...corre um alegre rio em nossa ilha S. louis”, e é realmente isso que ocorre em Paris aos domingos.
Deve-se acordar bem cedo no domingo, não queremos perder nada, não é mesmo?!Vamos pegar o metrô para a estação abbesses – linha 12 Monmartre, é lá que está situada a Basilique Du Sacré-Coeur, a Place Du Tertre, o LapinAgile, o Espaço Salvador Dalí, Moulin Rouge, sem contar que é o bairro mais boêmio de Paris, com suas ruas estreitas e escadarias que foram retratadas diversas vezes em filmes do mundo todo, mas vamos por partes, comecemos pela linda Basilica.(foto acima).
A Basílica do Sacré-Coeur no alto da colina de Montmartre, é produto de uma promessa religiosa feita após o l´annéeterrible de 1870.  Ao ser deflagrada a guerra franco-prussiana, dois empresários católicos fizeram um voto religioso: construíriam uma igreja dedicada ao Sagrado Coração de Cristo, caso a França escapasse do iminente massacre prussiano.  Os dois homens, Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury, viram Paris ser poupada de uma invasão, apesar da guerra e do longo cerco, e deram início ao que é hoje a basílica de Sacré-Coeur.
Uma curiosidade sobre a basílica é a sua cor: branca, diferente de todos os outros monumentos da cidade, vejamos porquê. O arquiteto responsável, Paul Labadie, estivera um tempo envolvido na restauração da igreja romanesca de Saint-Front, em Périgueux.  Ele enxertou numa base romanesca o estilo neobizantino, igualmente estranho a Paris.  Abóbadas não faltavam em Paris: em estilo italiano (o Hôteldes Invalides, o Institut de France etc.) e neoclássicos(em especial o Panthéon). Mas nenhum desses se parecia com a abóbada da basílica de Sacré-Coeur.
Ao longo dos séculos, a maioria dos prédios parisienses havia sido construída com calcário (Pierre de Paris)e gesso calcinado de Paris extraídos dos arredores da cidade (inclusive das cavernas de Monmartre). Essas reservas esgotaram-se em meados do século, e tomou-se a decisão de construir a Sacré-Coeur com pedras de Château-Landon, em Seine-et-Marne.  Essa pedra é mais branca que o calcário – e de fato, com o tempo fica ainda mais branca.  Assim a basílica não apenas tem um perfil altamente não-parisiense, como a sua cor não é de Paris.  Sua palidez provou-se impossível de imitar ou igualar.
A basílica foi concluída em 1914, mas devido ao período de guerra, a sua consagração somente foi possível em 1919, após o fim da Primeira Guerra.
Das escadarias deSacré-Coeur tem-se uma das melhores vistas de Paris, e sua cúpula oval é o segundo ponto mais alto da cidade, atrás apenas da Torre Eiffel.
Monmartre e arte são inseparáveis.  No final do século 19, a área era a Meca dos artistas, escritores, poetas e seus discípulos, que lá se encontravam para provar dos bordéis, cabarés, teatros de revista e outras atrações que sempre fizeram de Monmartre o mais boêmio dos bairros parisienses.
Saindo de Sacré-Coeur, vamos ao profano, vamos àPlace Du Tertre, um local onde inúmeros retratistas se encontram pintando não só retratos dos turistas, como também verdadeiras obras de arte, tendo como pano de fundo levieux paris.  Há também próximaà praça, a galeria Espace Dalí, onde estão expostas algumas obras do excêntrico Salvador Dalí.  Há também o LapinAgile– 22, ruedesSaules, o antigo CabaretdesAssassins deve seu nome atual a um cartaz pintado pelo humorista André Gill.  Seu desenho de um coelho escapando da panela (Le Lapinà Gill)acabou se transformando em “coelho ágil” (LapinAgile).  Frequentadores do cabaret: Picasso, Modigliani, o poeta Guillaume Apollinaire, Roland Dorgelès, entre outros.
Esse tour em Monmartre deve levar toda a amanhã, então hora de voltarmos a estação Abbesses e ir direto para a estação Cité, de onde então veremos face-a-face, ou como dizem os franceses tête-a-tête a Catedral de NotreDame, ao meu ver a grande rival da Torre Eiffel.

Aqui farei breves comentários porque falar de NotreDame,requer muito espaço e tempo, e correria o risco de ficar muito longo o texto, mas jamais enfadonho.
Jamais poderemos falar ou mesmo ouvir falar de Paris, sem mencionar NotreDame.Quantas histórias! Antes mesmo de entrarmos na sua história propriamente dita, me veio à lembrança um fato interessantíssimo.  Segundo relatos, na segundaGuerra Mundial, o Terceiro Reich teria mandado explodir NotreDame, a catedral estava cheia de explosivos e um único soldado alemão teria ficado com a incubência de detoná-la, mas vendo tamanha beleza, seus vitrais, suas gárgulas, suas abóbadas, começou a chorar e correr e, ainda teria avisado aos franceses que retirassem imediatamente todos os explosivos da catedral.
Mas NotreDame já tinha passado por outros atentados igualmente violentos; quanto, a história da catedral é impregnada de conflitos, revoluções e violência, mas também de muitos momentos de glória.
NotreDame de Paris,é uma das primeiras catedrais góticas a ser construída, e sua construção atravessou todo o período gótico. É um dos primeiros edifícios a usar uma técnica de contenção estrutural através de arcobotantes. Originalmente estes não constavam no projeto, mas à medida que as paredes iam sendo erguidas, sendo muito finas como se tornou comum no gótico, começaram a aparecer rachaduras, e as paredes ameaçavam se inclinar para fora, assim os arcobotantes (ou contrafortes) foram acrescentados para evitar desabamento. Isso foi ironizado na épocapois para eles a aparência  era de andaimes não removidos que davam à catedral um aspecto inacabado. A antiga catedral de Saint-Etienne (Santo Estevão), construída no início do século VI e anterior a Notre-Dame, ficava próxima à basílica de Notre-Dame, transformada no século XII na catedral de hoje.
Aqui deixo uma sugestão de um filme, (minha outra grande paixão é o cinema), o qual retrata a construção de Notre-Dame – “Em nome de Deus” o filme conta a história de Abelard e Heloise – no século 12, Abelard, um respeitado filósofo e professor em Paris, é contratado para ser o tutor da bela e inteligente Heloise. Rapidamente, eles se apaixonam, mas precisam manter seu relacionamento escondido de todos, porque Abelard está comprometido com o celibato. É uma belíssima história de amor, hoje os corpos dos dois encontram-se sepultados no cemitério Père-Lachaise, em Paris.
Os trabalhos para construção de Notre-Dame se iniciaram em 1163, durante o reinado de Luis VII, a catedral é repleta de curiosidades e, para nos visitantes, é importante conhecer um pouco esses fatos que fizeram e fazemde Notre-Dame uma das igrejas mais belas e famosas de todo o mundo. Um detalhe interessante da catedral: seu sino, o sino “Emanuel” da torre sul pesa 13 toneladas. Diz-se que quando ele foi refundido, em 1631, mulheres lançaram suas jóias de ouro no metal, dando-lhe sua sonoridade característica em fá sustenido. Isso é Paris.
Notre-Dame hoje parece viver uma fase finalmente tranquila, pois ao longo dos séculos, como já dito anteriormente, já sofrera todo tipo de atentado. Na revolução francesa, novamente a catedral sofreu sendo transformada no “Templo da Razão” e muitos de seus tesouros foram destruídos e durante algum tempo estátuas da “Senhora Liberdade” ocuparam o lugar da Virgem Maria em diversos altares. Os sinos por pouco não foram fundidos, e a catedral foi usada como depósito de mantimentos. Quando você chegar em frente à catedral, na fachada acima dos portões, você verá estátuas de doze reis da Judéia; só que durante a revolução, os revolucionários radicais, que queriam que tudo que representasse o ancien régime, fosse de vez banido da França, acharam tratar-se dos doze apóstolos de Cristo e ordenaram que fossem decapitados. E assim foi feito, mas após Napoleão tomar o poder das mãos do régime de laterreur, ordenou que fossem reconstruídas as cabeças dos reis. Para sorte da historia, nos anos 1990 em uma escavação, descobriu-se as cabeças originais, e hoje podemos vê-las no Museu de Cluny. Já em 1871, durante a comuna de Paris, um motim civil quase ateou fogo à catedral, e alguns registros sugerem que muitos bancos foram queimados em seu interior. Em 1939, temeu-se que bombardeios alemães pudessem destruir os vitrais remanescentes, e assim eles foram removidos erecolocados após a guerra. 
Depois dessa visita a Notre-Dame, e antes de parar para comermos algo,já que estamos a alguns passos, poderemos visitar a Sainte-Chapelle.


Etérea e mágica, a Sainte-Chapelle é considerada uma das maiores obras-primas arquitetônicas do mundo ocidental. Na Idade Média, os devotos comparavam a igreja a “um portão para o céu”. Hoje, todo visitante se encanta com a luminosidade criada por 15 magníficos vitrais, separados por colunas muito estreitas de 15 metros até o teto abobado pontilhado de estrelas. Os vitrais retratam mais de mil cenas religiosas em um caleidoscópio de vermelho, dourado, verde, azul e lilás. A capela foi construída em 1248 por Luis IX para abrigar a suposta coroa de espinhos, que hoje se encontra no tesouro de Notre-Dame.
Deu fome, então vamos voltar por Notre-Dame, atravessar a Ponte Saint-Louis, deixando a Île de laCité  e entrando agora na Île Saint-Louis, precisamente na rueSaint-Louis enI´lle. Aqui há duas dicas de restaurantes, o badalado Le Fin Gourmet (dica que nos foi passada e aceita, pelos também apaixonados por Paris, Bia e Gustavo), inclusive com uma estrela no guia Michelin, mas preços excelentes, apesarde toda badalação; o outro é o L´llotvache, também com excelentes preços. Guardem lugar para os sorvetes, pois nessa mesma rua existe tanto o famoso Berthillon, como também, na concepção de muitos, o melhor, o italiano Amorino.
Na minha singela opinião, a Île Saint-Louis é um dos melhores lugares para flanar em Paris, e se me perguntassem qual cenário mais romântico da cidade, eu diria que não há um só lugar, mas com certeza mencionaria Saint-Louis. Então aproveitem para andar muito pela ilha, curtam seus cafés, suas ruas estreitas, suas pontes, suas vitrines, enfim, curtam onde Paris nasceu.
É noite, hora de descansarmos? Não, vamos deixar isso para quando voltarmos.Hora de ir àruedesCanettes, depois lógico de um belo banho para repor as energias, porque vamos precisar. A ruedesCanettes, mínima e agitada, quase não tem turistas. Os parisienses adoram passar a noite de bar em bar, aproveitando que a vizinhança oferece muitas opções. Quem gosta de cerveja não pode perder a brasserie O´Neil. Para entrar totalmente no clima parisiense, não perca o Chez Georges, (bar à vin) um bar de vinhos muito simples, à moda antiga, lotado de gente interessante. Essa dica para a nossa penúltima noite em Paris é para experimentarmos um pouco do cotidiano do parisiense.
À tousune bonne nuitet à demain. 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Paris por Joe - Parte II

Paris por Joe - 2º dia de viagem

2º Dia na Cidade- Luz

                               
Já é dia em Paris, hora de acordar, tomar um belo petit déjeuner  (café da manhã), não esquecendo os croissant, e os fromages... então, “bonjour”, e allons-y!
Começo o nosso segundo dia dizendo que Paris, assim como Roma, é um verdadeiro museu a céu aberto, onde você vai ou passa há algo para nos impressionar,há algo histórico, seja nas ruas, praças, igrejas,rios, parques ou edifícios, do nada algo surge para nos ensinar e nos contar um pouco de sua história.
Hoje iremos conhecer três museus, o maior e mais imponente – o Louvre; o Museu D´orsay e o Museu L´orangerie e, também outros pontos que não podem passar despercebido em sua primeira viagem.

Museu do Louvre


No inicio da década de 1980, o presidente da Quinta República François Mitterrand lançou planos para um Grand Louvre, envolvendo a construção no pátio principal da pirâmide de vidro e aço, cujo projeto ficou a cargo do arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei, que serviria de entrada pública ao museu ampliado. Mas houve grande manifestação popular contra a suposta profanação do patrimônio histórico, principalmente àqueles que seguem firme na defesa da vieux paris
O Louvre sempre significou exibição de poder – mas sua forma tem sido mais camaleônica do que em geral se imagina.
A partir do fim da Idade Média, essa característica de versatilidade encontrou reconhecimento numa das pretensas etimologias do Louvre: o nome, afirmava-se, seria uma corruptela de l´oeuvre – obra, local de construção – e indicaria que o palácio estava sempre em processo de transformação e na verdade nunca seria concluído. Outras hipóteses quanto ao nome do local (algumas igualmente fantasiosas) incluíam derivações do celta levrez, leprosário, sugerindo a existência no local (não-confirmada) de um hospital para leprosos; o latim rubrum (vermelho, por associação, lubrum), evocando a cor dos ladrilhos supostamente fabricados nas olarias (tuileries) adjacentes; o latim luparia, local dos lobos; o franco lure, ficar alerta; e o anglo-saxão leouar, castelo.
Talvez os dois últimos significados sejam os mais plausíveis, levando em conta a forma inicial dada ao prédio por Filipe Augusto: enorme torre feudal, integrante das novas defesas da cidade.
Oito séculos de história:
Com efeito, foi em 1190 que Filipe Augusto mandou construir um castelo dominado por uma torre de menagem de trinta metros de altura. No reinado de Carlos V, a vocação defensiva da fortaleza é minorada pela construção da nova cintura de muralhas de Paris. O Louvre transforma-se numa autêntica residência real, cujo fausto apenas conhecemos pelas pinturas e miniaturas. O palácio passa a ser assim o lugar onde a continuidade monárquica se firma da forma mais ostensiva.
A partir do reinado de Francisco I, os últimos Valois e mais tarde os Bourbons remodelam progressivamente o palácio, através de demolições, reconstruções e ampliações. A edificação do Palácio das Tulherias, entre 1564 e 1572, inicia um movimento irresistível do Louvre para leste, cujo símbolo é a Grande Galeria.
As grandes obras de Luiz XIV, a duplicação da Cour Carré e da colunata anunciam uma nova era.  Em 1678, a mudança da corte para Versalhes deixa o palácio entregue às academias, em particular a de Pintura e Escultura.  A organização de um salão em 1699 pode ser considerada como a primeira exposição de arte no Louvre.
Muitos são os fatos e curiosidades que pairam sobre o Louvre, como as peças provenientes das coleções reais e das confiscações revolucionárias que são rapidamente enriquecidas com os troféus de guerra das tropas da Revolução: a Itália, a Alemanha e a Holanda tem de pagar o seu tributo ao vencedor, dando início a uma extraordinária migração de obras em direção ao novo “museu Napoleão”.  A derrota do Imperador e as restituições subseqüentes marcam o fim deste museu universal.  Contudo, durante todo o século XIX, por vontade dos governos sucessivos, o Louvre estende o seu raio de aquisições a todas as culturas, motivando assim a abertura do departamento egípcio em 1827, do museu assírio em 1847, seguida dos museus mexicano, argelino e etnológico em 1850.  Sob o reinado de Carlos X, o Louvre abrigou ainda o museu da Marinha.
Sucessivamente, veio Napoleão III, que lançou obras para extensão do Louvre, criando os pátios interiores (cours).
Em 1981 o presidente Mitterand decide dedicar todo o espaço do palácio ao museu, retirando de uma vez por todas o Ministério das Finanças, instalado na ala norte, que cedeu lugar as coleções de pinturas orientais.
Como já dito anteriormente, o Louvre, assim como Paris, tem em sua essência a reinvenção, com efeito – em 1989 com a construção da famosa Pirâmide de Vidro, no centro da Cour Napoléon, a pirâmide constitui a chave mestra da sua intervenção.  Dá acesso a todos os espaços do museu e reagrupa todos os serviços ao público.  Longe de ser uma conclusão, a abertura da ala Richelieu em 1993 acarreta novas transformações cujo ponto vital foi a abertura, em 2010, das novas salas de Artes do Islão.
Aí está, um pouco, mas muito pouco de sua história, um museu que já fora residência real, torre de defesa, parcialmente destruído, esquecido (quando artistas de ruas e mendigos ocupavam suas alas) até torna-se um dos maiores e mais belo museu do mundo.
Chegaremos ao Louvre pela manhã, com disposição para passarmos 3 ou 4 horas, onde veremos pouquíssima coisa, pois se passássemos um mês inteiro dentro do museu, ainda assim não o veríamos em sua totalidade.  Mas essa pouca coisa na verdade torna-se enorme quando nos depararmos com a vedete do Louvre: a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, a Vênus de Milo, a Vitória de Samotracia, as Antiguidades Orientais (código de Hamurabi, Touros Androcéfalos Alados, o Intendente Ebih-Il), as Antiguidades Egípcias (Grande Esfinge, o Escriba Sentado, o Rei Amenófis e os Sarcófagos), os Escravos de Michelangelo, a Psique reanimada pelo beijo de amor, e as pinturas, como: Luiz XIV de Rigaud, Francisco I de France, de Jean Clouet, o Rapto das Sabinas de Nicolas Poussin, e na minha singela opinião, um dos concorrentes da Mona Lisa  – A Coroação de Napoleão Bonaparte de David (1806-1807).
O Louvre é isso e muito mais, mas é chegada a hora de deixarmos o museu e respirar o ar livre dos Jardins de Tuileries.


  
Pois é, é esse o caminho que iremos atravessar ao sair do Louvre, bonito não?!  Aí eu tenho duas sugestões para almoço, pois quando estivermos saindo do Louvre já é hora do “Déjeuner”, um dos melhores momentos em Paris, almoçar!  Se não quiserem ou acharem que é perda de tempo parar em um restaurant, e se deliciar com um Magret de canard au riz de Orange... hummmmm e um verre à vin rouge, ou ainda um cassoulet de toulose, ou (o melhor), agneau au vin (cordeiro ao vinho), a minha dica de restaurante nos jardins com uma vista encantadora para o Louvre, é o Le Saut Du Loup que fica no museu de artes decorativas,
107, rue de Rivoli, vejam o cenário.
                      
Este é o restaurante, com serviço no próprio jardim.
De entrée peça Foie gras de canard, chutney et pains variés, como prato principal indico souris de d´agneau, citrons confits et petits legumes, e para o grand final, como dessert tiramisu glacê, creme de moka à notre façon, sem jamais esquecer do vinho, e lembrar sempre que quando pedir, o pedido é contínuo, terá que pedir de uma só vez, a entrada,prato principal e sobremesa.
Mas para aqueles que preferem não se deleitarem com esse pequeno banquete, há no próprio jardim quiosques que servem excelentes iguarias francesas, como o croque monsieur, croque madame, a tradicional baguete, com ou sem recheio que pode ser muito bem acompanhado de uma bière(cerveja), uma taça de vinho, ou mesmo uma coca-cola.
Depois de toda essa gourmandises, é hora de voltarmos a outro roteiro, não mais o gastronômico, o cultural.  Ao sair do Jardim de Tuileries indo em direção a Place de La Concorde, ainda dentro do jardim, do seu lado esquerdo, encontra-se o Museu de L´orangerie, esse é um pequeno museu pouco conhecido do grande público mais com um acervo de fazer inveja a muitos grandes museus, porque?!  Porque é nesse museu que se encontra as Nymphéas de Monet, uma série de quadros enormes que circundam toda a sala, além de obras de Modgliani, Picasso, Lautrec, Paul Cézane dentre outros. É uma visita rápida, mas sem deixar de comtemplar a grande obra de Monet.
Saindo do Jardim de Tuilerie, atravesse a Ponte de La Concorde (na lateral do museu), e saia do lado esquerdo seguindo o quai Anatole France até entrar a direita na Rue de la Légion d´Honneur, aí está o D´orsay.

MUSEU  D´ORSAY

Há quem diga, e não são poucos, que o mais belo museu de Paris é o d´orsay, aqui concordo em parte, na parte que faz referência a beleza em si do edifício concordo, mas em termos de acervo não, continuo com o Louvre; mas estar em Paris e não ir ao d´orsay é quase imperdoável, o museu abriga coleções que provém essencialmente de três locais: o Louvre, as obras de artistas nascidos a partir de 1820, ou que tenham emergido no mundo da arte com a segunda república, do museu do Jeu De Paume, as obras impressionistas desde 1947; e do museu de arte moderna de Paris, as obras mais recentes.  Essas coleções abrangem desde a Pintura, a Escultura, a fotografia entre outras.
No local que hoje está situado o museu d´orsay, era originalmente uma estação ferroviária, Gare de Orsay, construída para o chemin de fer de Paris à Orléans, no local onde se erguera até 1871 um antigo palácio administrativo, o Palais D´orsay.  Foi inaugurado em 1898, a tempo da Exposição Universal de 1900.  O projeto foi do arquiteto Victour Laloux.
Em 1961, La Société Nationale dês Chamins de Fer Français (SNCF) – Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro Françês, decidiu vender a estação de Orsay, obsoleta já havia algum tempo.  O visitante que hoje entra no museu, na nave central, não pode imaginar que em 1939 este grandioso espaço, que abriga hoje, quadros, esculturas e fotografias, foi cenário de grande tráfico ferroviário.
A estação foi fechada a 1 de janeiro de 1973, e somente em 1977 o governo françês decidiu transformar o espaço num museu.  Foi inaugurado pelo então presidente François Mitterand no dia 1 de dezembro de 1986.  Os arquitetos Renaud Bardon, Pierre Coboc e Jean Paul Philippon foram os responsáveis pela adaptação da estação.
O que me encanta nesse museu, é a forma que estão dispostas as obras, em grandes corredores, fáceis de serem percorridos e, ao contrário do Louvre da pra ver muita, mas muita coisa, diria até que dá pra conhecer todas as grandes obras ali expostas.
Na ala dos pintores estão: Vincent Van Gogh (um grande acervo), Hector Guimard, Edgar Degas, Claude Monet, Eugène Boudin, Paul Cézanne, Antoni Gaudí, Paul Gauguin, Manet, Henri Matisse, Camille Pissarro, Pierre Auguste Renoir, Félix Nadar, Auguste Rodin, Henri de Toulouse-Lautrec, e tantos outros.
Já na ala dos escultores: Camille Claudel, Auguste Rodin, François Rude, Jules Cavelier, Honoré Daumier e outros não menos renomados. Que acervo heim?!
A bientôt D´orsay.
Bom, chega de museus por hoje, agora é hora de sentarmos em um café, não é qualquer café, é o Le Deux Magots, falo já dele, aí vamos ver as pessoas a passar e junto com elas a vida, acho que não tem nada melhor em Paris do que sentar num café e saborear os Piétons de lá para cá cada qual com suas vidas e, nós, simplesmente a contemplar cada cenário da vie parisienne.
Aqui no café falaremos muito sobre a Mona Lisa, Vênus de Milo, Auto-Retrato de Van Gogh, Esculturas de Rodin e sua eterna amante Camille Claudel, das nymphéas  de Monet, ou seja, voltaremos com história suficiente para contar para nossos filhos, netos e quiçá, nossos bisnetos.

LES DEUX MAGOTS

O café até hoje é famoso por ser ponto de encontro da elite literária e intelectual de Paris.  Esta fama vem dos artistas surrealistas e jovens escritores que freqüentavam o café nas décadas de 1920 e 1930, entre eles Ernest Hemingway, e dos filósofos existencialistas, Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre e, autores nos anos 1950.
Hoje a clientela é formada ainda por intelectuais e pessoas que esperam encontrar ali gente famosa, e pode ter certeza que sempre encontra.  O nome do café vem das duas estátuas de madeira de comerciantes chineses (magots) que enfeitam um dos pilares.  Ao lado encontra-se o não menos famoso Café de Flore, e do outro lado do boulevard a lendária Brasserie Lipp, inaugurada no século 19, e na frente do café a igreja mais antiga de Paris – a Église de Saint-Germain-Des-Prés; ótima vizinhança tem o Les Deux Magots, não?!
A segunda noite na Cidade-Luz.  Já voltamos ao hotel, tomamos uma ducha, agora é hora do Dîner (jantar).  Bom, como estamos em Paris pela primeira vez, sugiro que sigamos ao pé da letra o que diz o ditado – “A primeira vez a gente nunca esquece”, o que para Paris não vale muito essa máxima, porque tenha certeza, a segunda, a terceira, a quarta... não se esquece.  Então já que jantamos no lendário Le Procope, um dos mais antigos restaurantes parisiense, e o mais antigo café, então porque não jantarmos hoje no que é considerado o mais antigo restaurante da cidade?


GRAND VÉFOUR

O Véfour permanece em destaque na alta cozinha de Paris, é considerado a meca da gastronomia francesa. Inaugurado no século XVIII no Palácio Real, pelo empresário Jean Véfour que comprou à época um dos eminentes cafés políticos do Palais-Royal, o Café dês Chartres, refúgio de facções monarquistas e da jeunesse dorée pós-termidoriana.
A história do surgimento dos restaurantes se confunde com a do Grand Véfour.  *Ainda durante o Ancien Régime, em 1765, um comerciante de Paris chamado Boulanger abriu o primeiro restaurante, tendo sobre a porta do estabelecimento uma placa com uma frase retirada do Evangelho de São Mateus: “Vinde todos a mim, vós cujos estômagos gritam de miséria, e eu os restaurarei”.  Mal sabia ele que a sua iniciativa pioneira, direcionada aos mais pobres, seria copiada por muitos outros que não mais se proporiam a aplacar a fome dos menos abastados, oferecendo bouillons restaurants (caldos restauradores), mas também a regalar o paladar dos mais ricos. (Grand Véfour – 17, rue de Beaujolais – Palais-Royal.)

*Os franceses – Ricardo Corrêa Coelho.

Então a todos um bon appétit e bonne nuit, nos veremos no terceiro dia.
Joe.


domingo, 23 de janeiro de 2011

Paris por Joe

Paris – A cidade para os primeiros e, os eternos viajantes
                                                         Por Joe
      


Começo dizendo que Paris é e sempre será “Inoubliable” (inesquecível), a cidade tem a característica de sempre estar se reinventando, foi assim desde que Paris não era Paris, ainda era Lutetia. Paris testemunhou mais acontecimentos importantes do que qualquer outra grande cidade, desde guerras, terror e invasões até grandes levantes políticos e revoluções artísticas. Foco de inúmeras gerações de admiradores e detratores, a cidade evoca imagens vívidas até mesmo aqueles que nunca lá estiveram.  Nenhum lugar na terra foi mais percorrido e mais imortalizado pela literatura, pelas artes plásticas, pelo cinema, pela fotografia e pela música, citou certa vez o escritor Colin Jones.
Paris nasceu para ser bela, já nos anos 358 quando ainda era apenas uma pequena aldeia, já despertava interesse dos poderosos da época. Escreveu assim o Imperador Romano Juliano “Cara Lutetia...” – “Minha querida Lutécia”, sobre suas estadias na cidade em 358 e depois no inverno de 360-361.
Essa é a primeira descrição de qualquer tamanho que temos da cidade que seria conhecida como Paris.  É escrita com um sentimento que se tornaria comum em escritos sobre Paris: o afeto.  Seu autor era um homem poderoso. 
Nesse momento de sua história, Paris era Lutécia.  Julio César, que no primeiro século antes de cristo conquistou grande parte da atual área da França e a colocou sob domínio romano, foi o primeiro a usar o nome “Lutetia” (outros diziam “Lucotecia”) para designar a “cidade da tribo dos parísios”.
Bom, o objetivo aqui além de mostrar uma Paris mais histórica, é também de nos colocar na Paris atual, mostrando os fatos que norteiam seus monumentos e, nesse primeiro ensaio, podemos assim dizer – vamos tratar de uma viagem a Paris com quatro dias de estadia, onde “geralmente” são visitados os seguintes pontos: Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Champs-Élysées, Museu do Louvre, Museu Rodin, Museu D´Orsay, Notre Dame de Paris, Basílica de Sacré-Coeur, Jardins de Luxemburgo e alguns cafés e lojas na Bd.Saint-Germain e Bd.Saint-Michel.
Então como dizem os franceses – “Alors, venez? (vamos lá?!).
Comecemos por ela que é a face perfeita de Paris, a Torre Eiffel.
              

Na minha opinião, quando se chega a Paris pela primeira vez, deve-se deixar o hotel imediatamente e correr para Torre Eiffel, aí você terá plena certeza que está diante do monumento mais visto do mundo e,a alma tranqüila, com a certeza: “Estou em Paris”
Mas nem sempre foi assim, a Torre Eiffel construída para impressionar os visitantes da Exposição Universal de 1889, deveria ter sido um adendo temporário a Paris.  Projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel, foi muito criticada pelos estetas do século 19. Houve à época um abaixo-assinado subscrito por um elenco estelar de cerca de cinqüenta intelectuais, inclusive os escritores Alexandre Dumas (os três mosqueteiros), Leconte de Lisle e Guy de Maupassant, o arquiteto Charles Garnier, entre tantos outros que eram radicalmente contra a Torre. Dizia o texto: “A torre Eiffel, que nem mesmo a gananciosa América, temos certeza, não quereria, é a desonra de Paris. Todo mundo sabe disso, todo mundo fala nisso e todo mundo está profundamente aborrecido com isso – e somos apenas o débil eco da opinião pública universal, que, com todo direito, está alarmada. Basta imaginar uma torre vertiginosamente ridícula dominando Paris como uma gigantesca e negra chaminé de fábrica, esmagando com maciça barbárie a catedral de Notre-Dame, a Sainte-Chapelle, a torre Saint-Jacques, o Louvre, o domo do Hôtel dês Invalides, o Arco do Triunfo etc.”
Ainda bem que tudo não passou de um grande alarde, mas foi pensado seriamente na sua desmontagem após atos de repudia como esse e tantos outros, mas para o bem da cidade e de nós visitantes, a torre continua lá, majestosa e bela, e foi a edificação mais alta do mundo até 1931, quando foi erguido o Empire State Building em Nova York, a torre é hoje um símbolo de Paris.  A restauração recente e um novo sistema de iluminação fizeram com que se destacasse ainda mais.
O que fazer na Torre?
Chegue cedo (se ainda não tem ingressos), hoje já podemos comprar ingressos e reservar seus restaurantes pela internet, há dois restaurantes, o mais caro e mais famoso Jules Verne, no segundo andar e, o 58 Tour Eiffel este situado no primeiro andar. Se for pela manhã não deixe de subir até o topo da torre, a vista de lá é algo indescritível, indo no final de tarde, associe a subida a um jantar no Jules Verne, a cozinha é ótima, pratos tipicamente françês, e verás a cidade luz literalmente.  Mas para aqueles que não desejam subir, atravessem a Pont d´léna e sigam até o Trocadéro e tirem as mais belas fotos da torre. Esse é o melhor lugar para se tirar fotos da torre.  Ainda no Trocadéro vocês podem visitar o Palais de Chaillot, que abriga o Museu de L´homme, o de La Marine, a Cité de l´Architeture  et du  Patrimoine.  Na volta não esqueçam de fazer uma parada nos inúmeros cafés que circundam a torre, sentar, dar bom dia “bonjour monsieur” pedir por favor “S´il vous plaît” tomar um café ou um vinho e, no final agradecer com um “merci” e, saindo dizer “Au revoir”.  Essas palavras são mágicas, servem para um bom atendimento e cordialidade.  Ficamos nesse primeiro capítulo, em breve continuaremos nosso passeio ou “flâner” pela cidade Luz, trazendo o Hôtel dês Invalides, Museu Rodin, Arco e Champs-Élysées, e assim terminaremos nosso primeiro dia.
Já é tarde na cidade, ou melhor “ aprés-midi”, então vamos conhecer agora um ícone da construção no Grand Siècle, Hôtel dês Invalides.  Em 1670 o rei Luiz XIV precisou, tal como seus predecessores Henrique III e Henrique IV, de assegurar auxílio e assistência aos soldados inválidos dos seus exércitos; para que “aqueles que expuseram suas vidas, derramaram o seu sangue pela defesa da monarquia (...) passem o resto de seus dias na tranqüilidade (ceux qui ont exposé leur vie et prodigué leur sang pour La défense de La monarchie (...) passent Le rest  de leur  jours dans La tranquillité). Diz o édito real de 1670.
Luiz XIV e seus propagandistas enfatizavam que o Hôtel dês Invalides era uma instituição de caridade estabelecida graças à generosidade pessoal do rei com ex-combatentes corajosos.  No hôtel está a catedral de Saint-Louis-des-Invalides.  Esta foi concebida para acolher os pensionistas dos Invalides e foi elevada a categoria de cathédrale. É a sede do Bispo Católico dos Exércitos.  Outro fato curioso é que o Invalides tornou-se uma espécie de Pantéon, onde lá repousam vários homens de guerra franceses do período monárquico e revolucionário, tais como: O Marechal de Turenne; o coração do Marechal de Vauban; o coração de La Tour d´Auvergne, herói das guerras da revolução; o General Marceau; Rouget de Lisle, autor de La Marseillaise, o hino nacional da França.  E na cúpula dourada dos inválidos que constitui um dos pontos de referência da paisagem parisiense, repousa Napoleão Bonaparte na companhia de seus dois irmãos, Joseph e Jérome Bonaparte e do seu filho, o “Filhote de Águia”.  Teria dito o próprio Napoleão: “quando morrer, quero que minhas cinzas repousem às margens do sena”.
Então não deixemos de visitar esse que é um dos maiores legados do rei Luiz XIV para a cidade de Paris. Ainda no Hôtel podemos visitar um belo museu com todo aparato de guerras, como canhões, baionetas, vestimentas, etc.
Saindo do Hôtel dês Invalides, um pouco mais a sua esquerda, está um dos mais belos museus do mundo, o “Museu Rodin” (77, rue de Varenne 75007) – Auguste Rodin, considerado o maior escultor francês do século 19, viveu e trabalhou no Hôtel Biron, elegante mansão do século 18, de 1908 até a morte, em 1917.  Em troca do apartamento e estúdio, de propriedade do Estado, Rodin legou ao país a sua obra, que agora está exposta no museu.  Algumas de suas esculturas mais famosas ficam no jardim: Burgueses de calais, O Pensador, Portas do Inferno e Balzac.  Já outras obras tão famosas quanto, ficam na parte interna da mansão, com destaque para o Beijo e Eva. 
Já pensou em tomar um lanche nos jardins de Rodin à sombra do Pensador?  Pois é, isso é Paris.
Dando um Au revoir ao museu Rodin, vamos direto para a avenida mais charmosa e elegante do mundo, a Champs-Élysées nela foram realizados os desfiles da vitória após as duas guerras mundiais e também do bicentenário da Revolução, em 1989, é palco da chegada do Tour de France e muitos outros acontecimentos na cidade.  Os jardins que a margeiam da Praça da Concórdia até o Rond-Point pouco mudaram desde que foram projetados pelo arquiteto Jacques Hittorff em 1838. Na Champs-Élysées estão diversas lojas de grande vulto mundialmente conhecidas, desde a Louis Vuitton, Lacoste, Prada, Dior, Disney, Adidas, Nike, entre tantas outras, e algumas de montadoras como a Citroen, Renault, Pegeout, essas lojas servem para mostrar ao público as novidades das marcas e seus protótipos, além da venda de souvenir.
 Não podemos esquecer uma visita quase obrigatória no final da avenida, os dois palácios: O Grand Palais e o Petit Palais, duas obras de arte arquitetônica do século 19, que hoje abriga diversas exposições, vale muito a pena conferir.
Mas só em estar na avenida andando de lá para cá, parando para comer um, ou uns macarrons na Ladurée, tomar um café no Fouquet´s, ou mesmo comer um croque monsieur acompanhado de um bom vinho já vale e muito a visita a essa avenida. 
Terminando nosso dia, nos deparamos agora com outro astro de igual grandeza na paisagem parisiense: “O Arco do Triunfo” - Muitos acham que o arco do triunfo fora construído por Napoleão Bonaparte e que suas tropas passaram por baixo do mesmo quando das vitórias do Imperador, bem, não é bem assim não. Vamos por parte. É verdade que Napoleão o idealizou e até começou suas obras tendo colocado a primeira pedra em 1806, depois de sua maior vitória, na batalha de Austerlitz, em 1805, e prometera a seus soldados: “Vocês voltarão sob arcos triunfais.” Mas problemas com o projeto do arquiteto Jean Chalgrin e o declínio do poder de Napoleão adiaram a conclusão desta obra monumental até 1836, quando finalmente foi inaugurado por Louis-Phillipe. Mas acho que por não ter sido o próprio Napoleão que inaugurou sua cria, isso não desmerece em nada o grandioso gesto que o mesmo teve com seus soldados e com o povo de Paris, pelo contrário, o povo parisiense reconheceu e reconhece o Arco do Triunfo como obra napoleônica e como tal, fez seu cortejo em 1840 passar sob o Arco, e o próprio arco traz incrustado em suas paredes várias referências de feitos de Napoleão, como se vê na parede lateral esquerda: A batalha de Aboukir, mostra uma cena da vitória de Napoleão sobre o exército turco em 1799, outra logo abaixo do teto é mostrado Trinta Escudos, cada um leva o nome de uma batalha que Napoleão venceu na Europa e na África, No lado direito vê-se incrustada a batalha de Austerlitz, onde se vê as tropas de Napoleão quebrando o gelo no lago Satschan, na Áustria, para afogar milhares de inimigos.  Logo vemos que nem os que sucederam o Imperador em outrora, nem tão pouco nos dias atuais, não  conseguem separar a história da França, particularmente Paris de Napoleão.
Mas o Arco é cercado de peculiaridades, foi lá que outro grande nome Francês teve seu corpo velado: Victor Hugo, foi a partir do Arco que Haussmann projetou as largas avenidas que hoje circundam a Place Charles-de-Gaulle, foi no arco que se deu o desfile da vitória das tropas aliadas em 1919, e em 1944 a Liberação de Paris, onde o General De Gaulle lidera a marcha da vitória, e é lá que você que está indo pela primeira vez a Paris fará sua entrada triunfal na Champs-Élysées, sob Arco Triunfal.
É noite na cidade luz, e você a verá iluminada, então é hora de sair do hotel, tomar um taxi, ou metrô e ir jantar em um dos mais de 2.000 restaurantes da cidade, aqui eu indico um dos mais antigo e tradicional restaurante parisiense, o qual é o mais antigo Café de Paris.


O Le Procope.  Esse belo restaurante que está situado na charmosa 13, Rue de Ancienne Comédie, em Saint-Germain Dés Près, nem sempre foi restaurante, mas com certeza é um ícone da Vieux Paris, quando Francesco Procopio dei Coitelli, fundador do primeiro café de Paris abriu sua loja, o grão de café já marcava sua exótica presença na França desde a década de 1640; mas, segundo consta, Procope, depois de promover a nova bebida na feira Saint-Germain em 1672, estabeleceu sua própria loja na Rue des Fossés-Saint-Germain (hoje a atual Rue de L´ancienne Comédie), isso em 1686.  O Café Procope teve seu período áureo no século XVIII, e foi freqüentado pelos principais filósofos da época: Diderot e d´Alembert (foi no Procope que os dois um dia tiveram a idéia de fazer a Enciclopédia), Voltaire, Rousseau, Marmontel, Beaumarchais, Mercier e tantos outros freqüentavam assiduamente o café.
A Revolução Francesa também deixou marcas no estabelecimento, pois revolucionários como Danton, Robespierre, Marat, Hébert, Camille Desmoulins e inúmeros jornalistas e membros dos Sans- Culotte  eram seus clientes;  foi no Procope que surgiu o Gorro Vermelho.
Mas nem só de filosofia e de revoluções vivia o café, teve também sua fase romântica -com Musset, George Sand, Gautier, Balzac, Victor Hugo e, mais tarde Verlaine.
Como vimos, não trata-se apenas de “um restaurante” é na verdade um símbolo da cidade de Paris, da história de Paris, fica aqui a dica, se forem,  tenham  todos então um “bon appétit  e bonne nuit.


Joe.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Restaurantes em Paris - Parte II

Continuando a série...
Nós também fomos no Le Passage do Senderens e no Cristal Room do Baccarat.

Estes são mais caros que os anteriores, oferecem um ambiente mais refinado e uma conta mais alta.


Le Passage

Já tínhamos ouvido falar muito bem do Alain Senderens, e uma ótima oportunidade de aproveitar seus quitutes a preços mais convidativos é durante o almoço. Enquanto no seu restaurante principal o menu degustação custa 150 euros, no Le passage o menu de almoço custa 35 euros com entrada, prato e sobremesa. Entretanto, pode-se pedir a la carte tb, a partir de 17 euros. Os vinhos começam em 25 euros, a garrafa.
Além dos prato no menu, tem a opção do dia. Eu pedi o Tartare de veau et langoustines, vermicelle chinoi. Tenho que confessar que achei tudo do menu muito esquisito, o que inicialmente me irritou muito. Escolhi este pois achei o menos pior...rs
Foi uma bela surpresa!!! Estava delicioso, vai entender!!!! Vá de mente aberta e não vai se arrepender.


E não é que estava bom?



Meu prato

Prato do Gu - Homard à la vanille, quelques pousses d’épinard et oseille



9 place de la madeleine, 75008

Cristal Room

O ponto alto do lugar são as peças de cristal Baccarat e a decoração. No almoço o menu sai por 55 euros. O jantar pode ser menu degustação, ou a La carte. Achei a comida um pouco sem gosto, apesar do prato ter excelente apresentação. Os vinhos custam em torno de 50 euros a garrafa. Vale pelo ambiente.


O banheiro é o máximo!!!

Banheiro

Meu prato






11, place des Etats-Unis