segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Paris por Joe – Parte III

O Domingo


Bonjourles amis, começamos o terceiro e penúltimo dia de nossa viagem, é, eu sei, é muito pouco tempo, mas voltaremos outras vezes, pode apostar.
Bom, costumo dizer que sempre que viajamos para conhecer outra cidade é de suma importância que planejemos a viagem de forma a sempre ter um final de semana inserido em nosso roteiro, porque é nos fim de semana que a cidade está a todo vapor, não se trabalha, o trânsito flui melhor, acontecem as feiras (e em Paris não é diferente, tem a famosa feira da rueMouffetard, a feira de LesHalles entre outras), as igrejas estão todas ornamentadas erepletas de fiéis e, como dizia Edith Piaf, “Couleunfleuvejoyeuxsurnotre ilê St.Louis”...corre um alegre rio em nossa ilha S. louis”, e é realmente isso que ocorre em Paris aos domingos.
Deve-se acordar bem cedo no domingo, não queremos perder nada, não é mesmo?!Vamos pegar o metrô para a estação abbesses – linha 12 Monmartre, é lá que está situada a Basilique Du Sacré-Coeur, a Place Du Tertre, o LapinAgile, o Espaço Salvador Dalí, Moulin Rouge, sem contar que é o bairro mais boêmio de Paris, com suas ruas estreitas e escadarias que foram retratadas diversas vezes em filmes do mundo todo, mas vamos por partes, comecemos pela linda Basilica.(foto acima).
A Basílica do Sacré-Coeur no alto da colina de Montmartre, é produto de uma promessa religiosa feita após o l´annéeterrible de 1870.  Ao ser deflagrada a guerra franco-prussiana, dois empresários católicos fizeram um voto religioso: construíriam uma igreja dedicada ao Sagrado Coração de Cristo, caso a França escapasse do iminente massacre prussiano.  Os dois homens, Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury, viram Paris ser poupada de uma invasão, apesar da guerra e do longo cerco, e deram início ao que é hoje a basílica de Sacré-Coeur.
Uma curiosidade sobre a basílica é a sua cor: branca, diferente de todos os outros monumentos da cidade, vejamos porquê. O arquiteto responsável, Paul Labadie, estivera um tempo envolvido na restauração da igreja romanesca de Saint-Front, em Périgueux.  Ele enxertou numa base romanesca o estilo neobizantino, igualmente estranho a Paris.  Abóbadas não faltavam em Paris: em estilo italiano (o Hôteldes Invalides, o Institut de France etc.) e neoclássicos(em especial o Panthéon). Mas nenhum desses se parecia com a abóbada da basílica de Sacré-Coeur.
Ao longo dos séculos, a maioria dos prédios parisienses havia sido construída com calcário (Pierre de Paris)e gesso calcinado de Paris extraídos dos arredores da cidade (inclusive das cavernas de Monmartre). Essas reservas esgotaram-se em meados do século, e tomou-se a decisão de construir a Sacré-Coeur com pedras de Château-Landon, em Seine-et-Marne.  Essa pedra é mais branca que o calcário – e de fato, com o tempo fica ainda mais branca.  Assim a basílica não apenas tem um perfil altamente não-parisiense, como a sua cor não é de Paris.  Sua palidez provou-se impossível de imitar ou igualar.
A basílica foi concluída em 1914, mas devido ao período de guerra, a sua consagração somente foi possível em 1919, após o fim da Primeira Guerra.
Das escadarias deSacré-Coeur tem-se uma das melhores vistas de Paris, e sua cúpula oval é o segundo ponto mais alto da cidade, atrás apenas da Torre Eiffel.
Monmartre e arte são inseparáveis.  No final do século 19, a área era a Meca dos artistas, escritores, poetas e seus discípulos, que lá se encontravam para provar dos bordéis, cabarés, teatros de revista e outras atrações que sempre fizeram de Monmartre o mais boêmio dos bairros parisienses.
Saindo de Sacré-Coeur, vamos ao profano, vamos àPlace Du Tertre, um local onde inúmeros retratistas se encontram pintando não só retratos dos turistas, como também verdadeiras obras de arte, tendo como pano de fundo levieux paris.  Há também próximaà praça, a galeria Espace Dalí, onde estão expostas algumas obras do excêntrico Salvador Dalí.  Há também o LapinAgile– 22, ruedesSaules, o antigo CabaretdesAssassins deve seu nome atual a um cartaz pintado pelo humorista André Gill.  Seu desenho de um coelho escapando da panela (Le Lapinà Gill)acabou se transformando em “coelho ágil” (LapinAgile).  Frequentadores do cabaret: Picasso, Modigliani, o poeta Guillaume Apollinaire, Roland Dorgelès, entre outros.
Esse tour em Monmartre deve levar toda a amanhã, então hora de voltarmos a estação Abbesses e ir direto para a estação Cité, de onde então veremos face-a-face, ou como dizem os franceses tête-a-tête a Catedral de NotreDame, ao meu ver a grande rival da Torre Eiffel.

Aqui farei breves comentários porque falar de NotreDame,requer muito espaço e tempo, e correria o risco de ficar muito longo o texto, mas jamais enfadonho.
Jamais poderemos falar ou mesmo ouvir falar de Paris, sem mencionar NotreDame.Quantas histórias! Antes mesmo de entrarmos na sua história propriamente dita, me veio à lembrança um fato interessantíssimo.  Segundo relatos, na segundaGuerra Mundial, o Terceiro Reich teria mandado explodir NotreDame, a catedral estava cheia de explosivos e um único soldado alemão teria ficado com a incubência de detoná-la, mas vendo tamanha beleza, seus vitrais, suas gárgulas, suas abóbadas, começou a chorar e correr e, ainda teria avisado aos franceses que retirassem imediatamente todos os explosivos da catedral.
Mas NotreDame já tinha passado por outros atentados igualmente violentos; quanto, a história da catedral é impregnada de conflitos, revoluções e violência, mas também de muitos momentos de glória.
NotreDame de Paris,é uma das primeiras catedrais góticas a ser construída, e sua construção atravessou todo o período gótico. É um dos primeiros edifícios a usar uma técnica de contenção estrutural através de arcobotantes. Originalmente estes não constavam no projeto, mas à medida que as paredes iam sendo erguidas, sendo muito finas como se tornou comum no gótico, começaram a aparecer rachaduras, e as paredes ameaçavam se inclinar para fora, assim os arcobotantes (ou contrafortes) foram acrescentados para evitar desabamento. Isso foi ironizado na épocapois para eles a aparência  era de andaimes não removidos que davam à catedral um aspecto inacabado. A antiga catedral de Saint-Etienne (Santo Estevão), construída no início do século VI e anterior a Notre-Dame, ficava próxima à basílica de Notre-Dame, transformada no século XII na catedral de hoje.
Aqui deixo uma sugestão de um filme, (minha outra grande paixão é o cinema), o qual retrata a construção de Notre-Dame – “Em nome de Deus” o filme conta a história de Abelard e Heloise – no século 12, Abelard, um respeitado filósofo e professor em Paris, é contratado para ser o tutor da bela e inteligente Heloise. Rapidamente, eles se apaixonam, mas precisam manter seu relacionamento escondido de todos, porque Abelard está comprometido com o celibato. É uma belíssima história de amor, hoje os corpos dos dois encontram-se sepultados no cemitério Père-Lachaise, em Paris.
Os trabalhos para construção de Notre-Dame se iniciaram em 1163, durante o reinado de Luis VII, a catedral é repleta de curiosidades e, para nos visitantes, é importante conhecer um pouco esses fatos que fizeram e fazemde Notre-Dame uma das igrejas mais belas e famosas de todo o mundo. Um detalhe interessante da catedral: seu sino, o sino “Emanuel” da torre sul pesa 13 toneladas. Diz-se que quando ele foi refundido, em 1631, mulheres lançaram suas jóias de ouro no metal, dando-lhe sua sonoridade característica em fá sustenido. Isso é Paris.
Notre-Dame hoje parece viver uma fase finalmente tranquila, pois ao longo dos séculos, como já dito anteriormente, já sofrera todo tipo de atentado. Na revolução francesa, novamente a catedral sofreu sendo transformada no “Templo da Razão” e muitos de seus tesouros foram destruídos e durante algum tempo estátuas da “Senhora Liberdade” ocuparam o lugar da Virgem Maria em diversos altares. Os sinos por pouco não foram fundidos, e a catedral foi usada como depósito de mantimentos. Quando você chegar em frente à catedral, na fachada acima dos portões, você verá estátuas de doze reis da Judéia; só que durante a revolução, os revolucionários radicais, que queriam que tudo que representasse o ancien régime, fosse de vez banido da França, acharam tratar-se dos doze apóstolos de Cristo e ordenaram que fossem decapitados. E assim foi feito, mas após Napoleão tomar o poder das mãos do régime de laterreur, ordenou que fossem reconstruídas as cabeças dos reis. Para sorte da historia, nos anos 1990 em uma escavação, descobriu-se as cabeças originais, e hoje podemos vê-las no Museu de Cluny. Já em 1871, durante a comuna de Paris, um motim civil quase ateou fogo à catedral, e alguns registros sugerem que muitos bancos foram queimados em seu interior. Em 1939, temeu-se que bombardeios alemães pudessem destruir os vitrais remanescentes, e assim eles foram removidos erecolocados após a guerra. 
Depois dessa visita a Notre-Dame, e antes de parar para comermos algo,já que estamos a alguns passos, poderemos visitar a Sainte-Chapelle.


Etérea e mágica, a Sainte-Chapelle é considerada uma das maiores obras-primas arquitetônicas do mundo ocidental. Na Idade Média, os devotos comparavam a igreja a “um portão para o céu”. Hoje, todo visitante se encanta com a luminosidade criada por 15 magníficos vitrais, separados por colunas muito estreitas de 15 metros até o teto abobado pontilhado de estrelas. Os vitrais retratam mais de mil cenas religiosas em um caleidoscópio de vermelho, dourado, verde, azul e lilás. A capela foi construída em 1248 por Luis IX para abrigar a suposta coroa de espinhos, que hoje se encontra no tesouro de Notre-Dame.
Deu fome, então vamos voltar por Notre-Dame, atravessar a Ponte Saint-Louis, deixando a Île de laCité  e entrando agora na Île Saint-Louis, precisamente na rueSaint-Louis enI´lle. Aqui há duas dicas de restaurantes, o badalado Le Fin Gourmet (dica que nos foi passada e aceita, pelos também apaixonados por Paris, Bia e Gustavo), inclusive com uma estrela no guia Michelin, mas preços excelentes, apesarde toda badalação; o outro é o L´llotvache, também com excelentes preços. Guardem lugar para os sorvetes, pois nessa mesma rua existe tanto o famoso Berthillon, como também, na concepção de muitos, o melhor, o italiano Amorino.
Na minha singela opinião, a Île Saint-Louis é um dos melhores lugares para flanar em Paris, e se me perguntassem qual cenário mais romântico da cidade, eu diria que não há um só lugar, mas com certeza mencionaria Saint-Louis. Então aproveitem para andar muito pela ilha, curtam seus cafés, suas ruas estreitas, suas pontes, suas vitrines, enfim, curtam onde Paris nasceu.
É noite, hora de descansarmos? Não, vamos deixar isso para quando voltarmos.Hora de ir àruedesCanettes, depois lógico de um belo banho para repor as energias, porque vamos precisar. A ruedesCanettes, mínima e agitada, quase não tem turistas. Os parisienses adoram passar a noite de bar em bar, aproveitando que a vizinhança oferece muitas opções. Quem gosta de cerveja não pode perder a brasserie O´Neil. Para entrar totalmente no clima parisiense, não perca o Chez Georges, (bar à vin) um bar de vinhos muito simples, à moda antiga, lotado de gente interessante. Essa dica para a nossa penúltima noite em Paris é para experimentarmos um pouco do cotidiano do parisiense.
À tousune bonne nuitet à demain. 

8 comentários:

  1. Deu show mais uma vez. Quanto orgulho!!!!!
    bjs.

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  2. Maravilhoso post!!!!!!PArAbeNs!!!!!!

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  3. Como dizem os franceses: Parfait!!! Parabéns.

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  4. Pierre Taron25/2/11 10:14 AM

    Fico feliz em saber que alguem descreve tão bem nossa Paris. Parabéns! e obrigado.

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  5. Oi Bia!!
    Adorei seu blog, é muito interessante!!!

    Também fiz um pra mim, ainda em fase de criação! Quando puder, dá uma passadinha por lá!!
    http://descobrindopaisagens.blogspot.com/

    Obrigada,
    Bjs
    Lenina

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  6. Oi Lenina,
    seja muito bem vinda!!! Seu último post sobre Lujan está excelente. sabe que estava com tudo acertado p ir p Buenos Aires e passar por lá no carnaval, mas por motivos de força maior tive que cancelar tudo, mas iremos numa próxima oportunidade. Já estou indicando seu blog aqui.
    bjos

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  7. Olá Lenina, sou colaborador desse excelente blog, sobre viagens, colaboro com a Bia, só no que diz respeito a Paris, mas adorei seu post sobre minha cidade Natal-RN, seja sempre bem vinda e continue acessando o achadoseperdidos e divulgando sempre que possível, porque o seu já irei divulgá-lo. Sucesso!!!

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  8. Oi Bia,

    Vim retribuir sua visita ao www.viajarpelomundo.com
    Já entrei como sua seguidora. Voltarei outras vezes.
    Bj

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